"Caminhos da Reportagem" mostra realidade dos venezuelanos que chegam ao Brasil nesta quinta (05)

(Divulgação/TV Brasil)

Em novo dia e horário, às quintas, às 21h, durante a programação de verão da TV Brasil, o programa Caminhos da Reportagem revela o drama de pessoas que atravessam fronteiras para fugir da miséria e da fome nesta quinta (5).

A produção jornalística mostra que essa realidade está mais perto do que se imagina. A equipe da emissora pública acompanha a situação de jovens e até de gestantes da Venezuela na chegada ao território brasileiro na reportagem "Depois da fronteira: a vida das crianças imigrantes".

O programa destaca que desde 2017, mais de 200 mil venezuelanos vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor. Entre os imigrantes, vieram cerca de 10 mil crianças e adolescentes, segundo estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

 Nessa edição inédita, a equipe do Caminhos da Reportagem esteve em Pacaraima e Boa Vista, em Roraima, para acompanhar a situação desses meninos e meninas ao chegar e se adaptar na vida no Brasil.

Logo ao cruzar a fronteira, os venezuelanos são recebidos em abrigos provisórios, onde aguardam para seguir para Boa Vista ou outra cidade brasileira. A travessia e a vida nos abrigos têm um impacto forte nas crianças.

Diego Hernandéz tem apenas 10 anos, mas já entende o porquê de ter deixado a terra natal dele. "A Venezuela está pobre e muitos venezuelanos estão passando dificuldade, a metade do país já foi embora porque a coisa estava feia lá".

Quem participa do acolhimento dessas crianças e adolescentes, vive o cotidiano de ver a odisseia dessas pessoas. "O estado emocional, muitas vezes elas chegam sem entender o que está acontecendo e são crianças com poucas roupas e grande necessidade de coisas básicas, como roupas e fraldas" explica o tenente-coronel Barcellos, coordenador da Operação Acolhida em Pacaraima.

Para minimizar o impacto, o Unicef mantém 23 Espaços Amigos da Criança em Roraima, com atendimento pedagógico e atividades de recreação. A professora Sorimar Tremária, da ONG Visão Mundial, que atua nesses espaços, conta que as crianças se surpreendem com o pouco que tem para brincar. "Só um lápis de cor e um papel já fazem a diferença para eles, que dizem que na Venezuela eles não tinham isso, porque era muito caro", diz.


Há abrigos específicos para a população indígena, onde a saúde das crianças é prioridade no atendimento. A produção da TV Brasil encontrou uma mãe com seu bebê que, ao chegar ao abrigo com 1 ano de idade, estava tão desnutrido que não andava, não levantava e nem chorava.

A equipe de nutricionistas deu atenção especial à criança, com alimentação reforçada, vitaminas e acompanhamento. "Hoje, eu vejo o Nelwin com 2 anos correndo pelo abrigo e é uma felicidade muito grande", conta Cintia de Lima, uma das nutricionistas que acompanhou o bebê.

Situação das gestantes

Muitas mulheres atravessam a fronteira grávidas para terem seus bebês no Brasil. Em Boa Vista, a equipe do Caminhos da Reportagem encontrou mães como Yarinat Rosa, com sua filha Gabriela Natália, que nasceu na cidade.

A entrevistada conta que o medo de não ter atendimento adequado e a falta de remédios na Venezuela a fez migrar para o Brasil ainda grávida com os outros três filhos. "Quando eu vim para cá, no setor que eu morava morreram 18 parturientes entre 16 e 25 anos e elas deixaram muitas crianças órfãs", lamenta.

Boa Vista, que tem 400 mil habitantes, é uma das cidades do Brasil que mais tem sentido o choque da imigração. A prefeitura tem estado atenta e agido para incluir as famílias nas políticas públicas do município. "Estudando outros países com suas histórias de migração, nós temos conhecimento que isso é para sempre", avalia a prefeita Teresa Surita. Nas escolas municipais, 12% das matrículas já são de crianças venezuelanas.

Meninos como Oseas, de 7 anos, que tem paralisia cerebral, são desiludidos no país de origem. Os pais foram avisados na Venezuela que ele nunca iria andar. O programa da TV Brasil mostra o projeto "De Mãos Dadas", iniciativa da Escola Municipal Waldinete de Carvalho Chaves que visa integrar as crianças venezuelanas com as brasileiras e vai além da inclusão cultural.

Os professores se empenharam na estimulação do garoto e hoje ele já anda e tem uma vida mais independente. "No nosso país não se observa, nem se dá esse tipo de educação que tem aqui o Brasil", compara Temistocle Gonzáles, pai de Oseas.

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